Nós somos nada

07/nov

Várias vezes eu me pego olhando para o céu durante a noite e pensando se aquela estrela que eu estou observando já morreu ou não. Como todos sabem, ou deveriam saber, devido a distância da Terra em relação às estrelas que podemos enxergar, que é imensa, mesmo depois de alguns anos, podemos enxergar o brilho de astros que já não brilham mais. A velocidade da luz chega a ser bizarra de tão rápida, 299.458.798 metros por segundo, mas mesmo assim a luz de uma estrela pode levar dias, meses ou até anos para atingir a atmosfera do nosso planeta.

Dito isso, eu sempre penso “Se é tão longe assim e há várias delas, o que eu estou fazendo aqui? Por que eu estou aqui? O que vai acontecer comigo? Como eu tenho a capacidade de me questionar dessa forma? Por que ninguém sabe o que realmente aconteceu há 2 bilhões de anos atrás?”. Certamente eu não fui o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro… nem o centésimo septuagésimo segundo a realizar esse tipo de questionamento para si mesmo. Entretanto, o que mais me intriga, então, não são as estrelas lá em cima e, sim, as pessoas aqui embaixo.

Vivemos em um planeta chamado Terra. Certo, todo mundo sabe disso. Somente aqui, até onde se sabe, há vida. Não só vida, mas condições para os mais diversos tipos de vida que, em outros planetas, não há. Talvez em Marte, devido ao gelo, quem sabe. Mas o que se sabe atualmente hoje em dia nos dias de hoje (pleonasmo intencional) é que a Terra é o lugar onde há vida.

Parece ser simples esse raciocínio, mas vamos avançar um pouco mais. A vida na Terra é complexa. Por quê? Somos mais de 6 bilhões de pessoas vivendo aqui neste mesmo lugar. Para se ter uma idéia, 6 bilhões tem 9 zeros (6.000.000.000). Todos nascemos, crescemos e morremos, isso é inevitável. E todos nós, sem excluir ninguém, vivemos para nós mesmos, para alcançar algum objetivo que foi estabelecido por nós, ou a nós. Se não decidimos o que fazer de nossas vidas, alguém decide por nós. É quase uma lei universal.

Durante o nosso curto período de vida, poucas são as vezes e as pessoas que realmente param para pensar quem elas realmente são. Então, eu paro agora e me pergunto: quem sou eu?

Para responder isso é preciso entender que as respostas estão dentro de contextos específicos.

O mais simples de todos é aquele que está relacionado ao ambiente em que vivemos. Dentro dele, sou uma pessoa com diversas características que podem ser listadas por mim e por aqueles que me conhecem. Mas, basicamente, sou aquilo o que me fazem ser. Sou aquilo que, durante o meu crescimento, me disseram que eu deveria ser. Minha família me ensinou tudo o que eu precisava saber. Em muitos casos, quando a família é um problema, a pessoa também é. Ela adquire tudo aquilo que presenciou durante o seu crescimento para formar a sua personalidade e o seu caráter. Crianças absorvem informações com uma velocidade superior aos adultos, por isso que dizem que as pessoas não mudam. Na minha opinião, não mudam porque não querem, mas isso não vem ao caso.

Vou responder a pergunta anterior a partir de outro contexto muito mais complexo então: universal. Quem sou eu se comparado ao universo? É aí que as estrelas respondem: eu não escolhi estar aqui, mas sigo as regras do ambiente em que eu vivo. Pessoas poderiam muito bem dar essa resposta. Plantas, se falassem, falariam isso; animais selvagens também. Todos seguimos pelas regras porque fomos programados para fazer isso. Seja pela nossa família, pelos nossos líderes ou até pela igreja católica quando achou que o verbo pensar deveria estar fora do dicionário mundial. O fato é que a regra do universo existe.

Sim, eu estou culpando a igreja pelo retrocesso da evolução humana. Durante séculos, esconder a verdade do povo foi uma prática adotada pelos que estavam no poder. Isso ainda acontece hoje! Parte das nossas regras ambientais é seguir aquilo que nos é imposto e dito como a verdade. Imposto e dito pela nossa família. Imposto e dito por aqueles que estão no governo. Imposto e dito por aqueles que tem tanto poder que poderiam destruir o mundo se quisessem.

A minha, e a nossa sorte, é que isso não acontece porque o ser humano não passa de um nada. Isso mesmo. Nós somos nada. Todos nós. Eu, você, seu vizinho, o primo do seu vizinho, o colega do primo do seu vizinho, o filho do colega do primo do seu vizinho, o avô do filho do colega do primo do seu vizinho, o Lula, o George W. Bush, o Barack Obama, o Jackie-chan, a Mara Maravilha… todos somos nada. Se somos os seres mais desenvolvidos deste planeta, desta galáxia, ou quem sabe até do universo, vai saber, por que ainda seguimos as regras? Por que somos quem somos? E agimos como agimos? Por quê?

Porque somos nada. Atualmente, o ser humano é nada. Absolutamente nada.

Não me venha com esse papo de fé, Jesus, deus e o diabo-à-quatro que isso tudo também são coisas que foram impostas a nós durante o nosso crescimento. Isso não salva ninguém e nunca salvará. Serve apenas de consolo para aqueles que precisam de força, mas não conseguem encontrá-la dentro de si mesmos.

Nós somos capazes de realizar coisas incríveis, mas não sabemos. Parece até que não queremos saber. Se descobrirmos quais são as regras do universo, seremos capaz de quebrá-las. Não são regras da física, nem de ética, nem de nada. São apenas regras. Mas quais são? É isso que estou tentando descobrir e, assim que acontecer, vou quebrá-las. Foda-se. Não quero ser nada.

Acho que agora posso parar de ficar olhando para as estrelas, entrar para dentro de casa e continuar formulando meu plano. Cada um deveria ter o seu. Viajar “um pouco” na maionese de vez em quando não custa nada e faz bem para fugir dessa realidade filha da puta que nos cerca.


Apenas um comentário para “Nós somos nada”

  • Cá estou eu, again, para ler mais um texto teu. E como todos os outros, este não podia ser diferente: é excelente! ;]

    É muito interessante este tipo de pensamento. Fico horas pensando sobre isso (as vezes até dar dor de cabeça), e sabe o é que melhor? Nunca chegamos a uma conclusão! :D
    Viva à complexidade das coisas! Afinal, já pensou se não fosse? Não teria graça. :P

    “Viajar “um pouco” na maionese de vez em quando não custa nada e faz bem para fugir dessa realidade filha da puta que nos cerca.” Faço das suas, as minhas palavras :D

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